Apolônio a amou. Amor de língua. Daqueles que se consome na saliva.
O terninho mal cortado, paletó de colarinho estreito e gravatinha fina -quase um trapo feito em nó, não eram impedimento para as conquistas amorosas de Apolônio.E que conquistas! Um D. Juan sob vestes de escriturario. Apolônio dava-se na saliva.
Nós , seus amigos, nunca o compreendemos. Como era possível à alguem tão sem predicados estéticos aquelas conquistas?
E Angela!
Suas pernas, dizíamos desde a primeira vez que a vimos, tinham começo, meio -que era bem mais que um joelho- e não tinham fim. A miudeza de Apolônio e as pernas de Angela. Paradoxo intransponivel.
Publicações costumam definir pessoas , e as formas de seus corpos por comparações a frutas: pera, maçã e que tais, mas Angela a natureza ainda não produzira uma fruta que a abarcasse- Ângela era gosto, não forma.
Corria entre todos a história verídica de amigo em comum, que desvalido em uma cama de hospital- doença grave destas que não se diz o nome- recebeu a visita de Apolônio , amigo dedicado, e ele trouxe Angela.
Sem rodeios digamos que em prazo médio de 24 horas , o decúbito moribundo,levantou-se, caminhou sobre as aguas, e foi pra vida novamente-curado!
Há tantas historias verídicas sobre Angela e nossa turma que hoje, esmaecidas pelo tempo, dizem aos meus olhos que a vida é bem mais que isso tudo que eles vêem.
Há Angelas.
E os amigos.
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