segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Vida

Se a vida fosse concisa, eu seria uma exclamação.
Meu filho mais velho um ponto, e depois vírgula.
O mais novo vírgula.
A mãe parágrafo- sei que não é pontuação – ela nunca foi sistêmica.
Nossas vidas são sucessões de conjuntos com três exclamações, uma vírgula e reticências, não há interrogações.
A dúvida foi absorvida e faz parte de nossas existências.
Há amor e ponto.

Dizendo.

E lidos; Bandeira, Mario, Drumond, Pessoa e tantos versos de outras almas e amores, acalenta-me o tempo delicioso de hoje, onde os filhos tomam à vida e fazem-se versos próprios. A paineira deve ver com estes olhos, crescer longe, e fazer sombra, e abrigar sabiás, quem um dia voam dela como semente.Que brotam. A vida segue...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Brizolinha.

Por Paula, uma jovem simpática, fiquei sabendo hoje da morte do Brizolinha! Quem como eu, nasceu em Vila Santa Maria, conheceu o Brizola, sem duvida.
Dia destes conto dele. Uma figura!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Atriz

E disseram-lhe que aquela era a personagem. Aqueles seus jeitos. Outros seus maneios. Variados seus olhares e ,não disseram, que calasse de si . Ela então deixo-se emprenhar de gestação doida.
Fez, sem aviso, parto rasgado, dando ,à nascer, mais de si. Em além ao que a platéia pensou: a personagem.
Os dias seguiram com vida, e cena. Feitos mistura.
Finada à temporada, morreu o personagem e seguiu ela -atriz. Melhor.

sábado, 4 de junho de 2011

Amigos

Apolônio a amou. Amor de língua. Daqueles que se consome na saliva.
O terninho mal cortado, paletó de colarinho estreito e gravatinha fina -quase um trapo feito em nó, não eram impedimento para as conquistas amorosas de Apolônio.E que conquistas! Um D. Juan sob vestes de escriturario. Apolônio dava-se na saliva.
Nós , seus amigos, nunca o compreendemos. Como era possível à alguem tão sem predicados estéticos aquelas conquistas?
E Angela!
Suas pernas, dizíamos desde a primeira vez que a vimos, tinham começo, meio -que era bem mais que um joelho- e não tinham fim. A miudeza de Apolônio e as pernas de Angela. Paradoxo intransponivel.
Publicações costumam definir pessoas , e as formas de seus corpos por comparações a frutas: pera, maçã e que tais, mas Angela a natureza ainda não produzira uma fruta que a abarcasse- Ângela era gosto, não forma.
Corria entre todos a história verídica de amigo em comum, que desvalido em uma cama de hospital- doença grave destas que não se diz o nome- recebeu a visita de Apolônio , amigo dedicado, e ele trouxe Angela.
Sem rodeios digamos que em prazo médio de 24 horas , o decúbito moribundo,levantou-se, caminhou sobre as aguas, e foi pra vida novamente-curado!
Há tantas historias verídicas sobre Angela e nossa turma que hoje, esmaecidas pelo tempo, dizem aos meus olhos que a vida é bem mais que isso tudo que eles vêem.
Há Angelas.
E os amigos.

domingo, 4 de outubro de 2009

Pai

Parte de mim fala linguas que desconheço, viaja por cidades que não vejo, conversa com pessoas que não imagino, executa funções de que sou incapaz, sorri para coisas que desdenho, prova sabores que me assustariam, pede coisas que não quereria, luta batalhas que me são distantes. E assim , não sendo-me, torna-me completo, vivo, realizado.

Vestindo-se.

E disseram-lhe que era aquela a personagem, aqueles seus jeitos,outros seu maneios, variados seus olhares e não disseram que calasse de si . Ela então deixo-se emprenhar de gestação doida.
Fez sem aviso parto rasgado, dando nascer mais de si, o que plateia pensou, a personagem. Os dias seguiram com vida e cena, feitos mistura. Finada a temporada, morreu o personagem e seguiu ela-atriz. Melhor.